A reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, que investiga a responsabilidade de empresas pela manutenção e fiscalização de cabos instalados nos postes de Goiânia, esperava ouvir novamente, nesta quarta-feira (1º), o presidente da Equatorial Goiás, Lener Jayme. Convocado para prestar depoimento como testemunha, o dirigente utilizou um habeas corpus preventivo, concedido na noite anterior, para evitar o comparecimento à comissão.
O presidente da CEI, vereador Coronel Urzêda (PL), afirmou que Lener vinha evitando nova ida à comissão, ao adiar datas previamente agendadas e sugerir que outros representantes da empresa comparecessem em seu lugar. Os membros da CEI decidiram questionar, por meio da Procuradoria da Câmara, a validade da notificação do habeas corpus.
Durante a reunião, foram apresentados vídeos que seriam exibidos ao presidente da Equatorial para confrontar declarações prestadas por ele à CEI em 31 de março. Entre as supostas contradições apontadas, está a afirmação de Lener de que a empresa teria prestado assistência jurídica e psicológica, além de custeado o enterro da menina Nathaly dos Santos, morta eletrocutada por um fio solto durante uma chuva em setembro do ano passado. No entanto, a mãe da vítima, ouvida pela comissão em 28 de abril, afirmou que não recebeu qualquer tipo de ajuda.
Em outro vídeo, os membros da CEI apontaram contradição quando Lener afirmou que a empresa poderia retirar cabos de terceiros após notificação prévia, uma vez que é proprietária dos postes e os aluga às empresas de telecomunicações. Em outro trecho do mesmo depoimento, entretanto, ele afirmou que a Equatorial apenas faz a gestão dos postes e não é proprietária dos cabos de terceiros, razão pela qual não poderia removê-los. Confrontado com as duas versões, respondeu que até poderia retirar os fios, mas que o risco de interrupção dos serviços de telecomunicações “criaria um caos em Goiânia”.
Próximos passos
Os membros da CEI ainda pretendem ouvir o representante da empresa Nio, responsável pela infraestrutura da antiga Oi. No entanto, as notificações encaminhadas à empresa não foram atendidas. Diante disso, a comissão aprovou a convocação coercitiva do diretor-executivo da companhia, Márcio Fabbris, que deverá comparecer para prestar depoimento.
Os vereadores também decidiram ir a Brasília para ouvir representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre as responsabilidades das concessionárias de energia em relação aos postes dos quais são proprietárias.
