A Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara Municipal de Goiânia recebeu, na última quinta-feira (19), a prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde referente ao último quadrimestre de 2025 (setembro a dezembro). A audiência pública contou com a presença de vereadores, representantes de sindicatos, dos Conselhos de Saúde e de outras entidades ligadas à área, que aproveitaram o espaço para apresentar demandas e críticas ao sistema.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, o Município destinou 21,23% do orçamento à área no período — percentual acima do mínimo constitucional de 15%. No mesmo intervalo, foram realizados 5,2 milhões de procedimentos ambulatoriais, incluindo ações de prevenção, diagnósticos, atendimentos clínicos e cirurgias.
Os dados também apontam aumento nas internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que passaram de 77,1 mil, no mesmo período de 2024, para 80,4 mil em 2025. Além disso, foram registrados 168,3 mil atendimentos de urgência; 10,3 mil procedimentos hospitalares; e 67 mil atendimentos psicossociais.
Demandas
Apesar dos números apresentados, representantes de entidades destacaram dificuldades enfrentadas pelos usuários do SUS em Goiânia. Vice-presidente do Conselho Local de Saúde do CAIS Amendoeiras, Hiranildes Valentina Lobo defendeu a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Região Leste da capital.
“O SUS é nosso; é direito de todo brasileiro. A saúde pública, infelizmente, está na UTI. É nosso papel, como controle social, defendê-la e buscar garantias de um atendimento digno à população”, afirmou.
Marlene Soares, diretora do Sindisaúde, representou no evento a presidente da entidade, Néia Vieira, e levou ao debate questionamentos sobre direitos e condições de trabalho dos profissionais do segmento – que, segundo ela, continuam sendo desrespeitados
“É urgente a melhoria das unidades de saúde do Município e também das condições de trabalho oferecidas aos profissionais”, ressaltou. Entre os principais pontos cobrados pela líder classista estiveram: déficit de trabalhadores da Saúde; desrespeito à convocação dos aprovados no último concurso realizado pela Prefeitura; falhas na regulação; riscos de terceirizações e privatizações; correção da tabela de vencimentos dos auxiliares de Saúde; e atualização do Plano de Carreira.
Questionamentos
Entre os vereadores, o tom também foi de cobrança. O vereador Coronel Urzêda (PL) questionou a qualidade dos serviços prestados à população, mesmo diante do aumento da arrecadação municipal.
“A receita cresceu, mas isso não refletiu no bom atendimento à população. Queremos saber se esses investimentos vão chegar à Saúde, com reforma e ampliação das unidades, por exemplo. Por enquanto, não vimos nada nesse sentido”, argumentou.
Já a vereadora Kátia (PT), vice-presidente da Comissão de Saúde da Câmara, demonstrou preocupação com o aumento no número de mortes de recém-nascidos na capital. De acordo com os dados apresentados na prestação de contas, houve variação de 143,5%, o que motivou questionamentos da parlamentar sobre possíveis falhas no sistema.
“Qual é a falha? Por que estamos perdendo tantas crianças em nossa cidade? Há uma relação direta com o sucateamento do sistema, com o desmonte das maternidades? Ou a transição de governo foi feita sem planejamento e resultou nesses números? A Secretaria precisa explicar”, sustentou.
Queda
Em resposta, o secretário Luiz Pellizzer esclareceu que os dados dizem respeito a óbitos ligados a afecções perinatais — condições associadas à gestação e ao período próximo ao parto — e não necessariamente a óbitos infantis. Conforme explicou, foram registrados 204 casos em 2024 e 155 em 2025, o que representa queda de 24% nos óbitos propriamente ditos.
O titular da Saúde municipal pontuou ainda que, diante desse cenário, a Pasta criou ambulatórios voltados ao atendimento de gestantes de alto risco, como forma de reduzir complicações no período perinatal.
Presidente da Comissão de Saúde, o vereador Dr. Gustavo (AGIR) avaliou a prestação de contas como positiva, mas ressaltou a importância do acompanhamento contínuo. “Os dados foram apresentados e acredito que foi positivo. A Comissão está aqui para construir soluções, mas também para cobrar resultados. A participação de representantes de diferentes segmentos é fundamental nesse processo”, ressaltou.
Participação social amplia pressão por melhorias
A audiência pública na Câmara reforçou o papel do controle social na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), com a participação ativa de conselhos, sindicatos e representantes da sociedade civil. As manifestações evidenciaram a necessidade de ampliar investimentos não apenas em estrutura física, mas também na valorização dos profissionais e na melhoria do atendimento à população, especialmente em regiões com maior demanda por serviços de urgência e atenção básica.
