A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), promove, no dia 9 de junho, às 14h, na Câmara Municipal de Goiânia, audiência pública para a apresentação final do Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU).
O PDDU é o instrumento que transforma a drenagem urbana de Goiânia em política pública planejada, com diagnóstico técnico, prioridades por bacia hidrográfica e ações para reduzir riscos à população. O projeto é uma iniciativa inédita e estratégica para planejamento da drenagem urbana de Goiânia para os próximos 30 anos, prevenindo enchentes e alagamentos.
Essa é a primeira vez na história de Goiânia que um levantamento completo da micro e macro drenagem da cidade é realizado. O estudo apresenta o cenário de todas as bacias hidrográficas da capital até 2054, definindo metas para o futuro da cidade. “O PDDU organiza Goiânia em bacias hidrográficas. Isso é importante porque a água da chuva não respeita limites administrativos de bairros; ela segue o relevo, os fundos de vale e os canais naturais. Portanto, a solução para um alagamento em determinado ponto muitas vezes depende de intervenções a montante, em outra região da cidade”, explica o coordenador geral do PDDU, professor Klebber Formiga.
O Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia é a primeira leitura integrada, técnica e sistematizada do sistema de drenagem da capital. O principal avanço, segundo os responsáveis pelo programa, é que a drenagem deixa de ser tratada apenas como resposta pontual a alagamentos e passa a ser planejada em bacias hidrográficas, com diagnóstico, prognóstico, modelagem hidrológica e hidráulica, cadastro de estruturas existentes, identificação de áreas críticas e definição de prioridades de intervenção.
O estudo mostrou que os problemas de drenagem em Goiânia estão associados ao crescimento urbano, ao aumento das áreas impermeabilizadas, à ocupação de áreas sensíveis e à existência de trechos de infraestrutura implantados em uma cidade que tinha condições urbanas diferentes das atuais. A projeção considerada no PDDU indica crescimento da área urbana até 2054, com a necessidade de compatibilizar a expansão urbana, a capacidade hidráulica e o controle do escoamento superficial.
Foram identificados pontos críticos de alagamento, áreas suscetíveis à inundação, trechos com processos erosivos, limitações nas estruturas de macrodrenagem e a necessidade de atualização do cadastro e de manutenção da microdrenagem. O diagnóstico também permitiu ranquear as bacias quanto à criticidade dos alagamentos. Entre as mais críticas aparecem Córrego Botafogo, Córrego Cascavel, Córrego Macambira, Córrego Taquaral e Ribeirão Caveiras.
Outro ponto importante é que o PDDU não avaliou apenas o “onde alaga”. Ele também avaliou risco à população. No cenário de inundação analisado, foram estimados 677 domicílios e 2.127 pessoas potencialmente afetadas, com maior concentração social de risco nas bacias do Alto Anicuns, Caveiras, Baixo Anicuns/Botafogo, Cascavel e Baixo Meia Ponte.
O PDDU propõe um conjunto de medidas estruturais e não estruturais. Para a macrodrenagem, o plano indica intervenções em galerias, canais, travessias e obras de arte em áreas críticas ou potencialmente críticas, a implantação de reservatórios e estruturas de amortecimento, a recuperação de margens e o controle de erosão, além da adoção de Sistemas Alternativos Sustentáveis, como dispositivos de infiltração, retenção e detenção de águas pluviais.
Para a microdrenagem, o plano propõe sistematizar as informações sobre poços de visita, bocas de lobo, dutos e demais estruturas em uma base georreferenciada, permitindo o planejamento, a manutenção, a fiscalização e a priorização de obras com base em dados. Também são previstas ações de limpeza periódica, inspeção regular da rede, ampliação de estruturas subdimensionadas e melhoria dos procedimentos de manutenção.
Além das obras, o PDDU sugere medidas de gestão: monitoramento hidrometeorológico, uso de indicadores para priorizar bacias, atualização periódica do plano, integração com a Defesa Civil, revisão de critérios de projeto diante das mudanças climáticas, educação ambiental, incentivo à drenagem sustentável em propriedades privadas e criação de instrumentos de financiamento para viabilizar as ações.
Para a população, o PDDU significa planejamento, redução de riscos e melhor uso dos recursos públicos. Ele permite que a Prefeitura deixe de atuar apenas de forma emergencial e passe a trabalhar com prioridades técnicas, identificando onde estão os maiores riscos, quais intervenções devem ser feitas primeiro e quais medidas trazem melhores resultados para cada bacia.
Isso se traduz em ações para reduzir alagamentos, inundações, enxurradas e erosão; melhorar a mobilidade durante eventos de chuva; proteger moradias, vias, equipamentos públicos e áreas comerciais; orientar a expansão urbana; e aumentar a segurança das pessoas em períodos chuvosos. “O plano integra drenagem, meio ambiente e planejamento urbano. Não se trata apenas de construir galerias maiores. O PDDU propõe combinar obras convencionais com soluções de retenção e infiltração, parques lineares, recuperação de áreas degradadas, controle da erosão e manutenção permanente do sistema”, explica Klebber Formiga.
O plano também dá mais transparência à gestão da drenagem, pois cria indicadores, mapas, cadastro técnico e critérios para acompanhar a execução das obras e das ações de manutenção. Assim, a população passa a contar com um instrumento que orienta decisões de curto, médio e longo prazo.
“Um aspecto importante é a necessidade de continuidade. O PDDU é um instrumento de planejamento de longo prazo. Seus resultados dependem da atualização permanente do cadastro, do monitoramento das chuvas, da manutenção das redes, da captação de recursos e da execução gradual das intervenções. O plano também prevê revisão periódica, em consonância com a legislação nacional de saneamento”, concluiu o coordenador geral do PDDU.
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) – Prefeitura de Goiânia
