Em entrevista ao ICL Notícias nesta quarta-feira (8/4), no Palácio do Planalto, presidente falou, ainda, sobre o combate ao feminicídio, a PEC da Segurança Pública e destacou que o Brasil precisa, também, investir em sua indústria de defesaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta quarta-feira, 8 de abril, em entrevista concedida aos jornalistas Eduardo Moreira e Leandro Demori, do ICL Notícias, que o governo trabalha para apresentar o quanto antes uma proposta para reduzir o nível de endividamento dos brasileiros. Segundo o presidente, o endividamento será tratado com a mesma seriedade das medidas adotadas para evitar que o aumento do preço dos combustíveis gerado pela guerra no Oriente Médio impacte a economia brasileira.
“Estamos trabalhando seriamente e vamos tentar encontrar uma solução para o endividamento da sociedade brasileira. Já fizemos o Desenrola e nós, agora, estamos outra vez preocupados”, afirmou Lula.
Vamos tentar encontrar a solução e vai ser boa. Da mesma forma que nós encontramos com o petróleo. Eu disse textualmente: a gente não vai permitir que a guerra do Trump com o Irã aumente o preço do feijão, do arroz, da alface e da cebola que o povo brasileiro come”, prosseguiu.
COMBATE AO FEMINICÍDIO – O presidente também destacou que seu governo seguirá adotando medidas para combater de modo cada vez mais efetivo uma das questões que mais envergonham o Brasil na atualidade: o feminicídio. Para ele, a educação e a conscientização, principalmente entre os homens, é um dos fatores que devem ser cada vez mais destacados quando se discute o combate à violência contra a mulher.
“Vamos pegar a questão do feminicídio, a quantidade de violência contra a mulher. Essa coisa é um negócio tão podre. Veja o machismo impregnado na nossa cultura, no nosso DNA. Nós temos que educar os homens, porque quem é violento é o homem. Temos que nos educar e temos que começar da creche à universidade. Educar o ser homem para ele saber que ele não é dono da mulher. Ele pode ser no máximo um parceiro”, afirmou.
Para Lula, no caso das mulheres, é preciso investir em outro tipo de educação: aquela que lhes permitam cada vez mais avançar em suas profissões, de modo que elas tenham independência financeira e, assim, não dependam dos homens. “Por isso que eu aposto muito na educação da mulher. Se ela tiver uma profissão, se ela estiver no mercado de trabalho, ganhando o salário dela, e se o cara se meter à besta, ela manda o cara para fora de casa”.
SEGURANÇA – Ao falar sobre outra questão que preocupa os brasileiros, a segurança, Lula esclareceu que a aprovação da PEC da Segurança Pública é de suma importância, para permitir que o Governo do Brasil tenha mais força no combate aos crimes no país.
Lula lembrou que, com a Constituição de 1988, o comando da segurança pública passou dos militares para os governos estaduais. “A União praticamente não tem nenhum papel na segurança pública. Ela tem um fundo de R$ 2 bilhões hoje para repassar para os estados e tem a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal”, declarou.
“A gente aprovou agora a Lei Antifacção, e eu estou querendo que aprovem a PEC (da Segurança Pública), porque eu quero criar um Ministério de Segurança Pública. Porque aí nós vamos ter que definir qual é o papel da União. O papel é não ter que pedir autorização para o Estado para fazer uma intervenção num crime violento, como o caso da Marielle. Se não fosse a Polícia Federal, a gente não teria apurado aquele caso”, prosseguiu.
POLÍCIA FEDERAL – Lula lembrou ainda que, mesmo sem a aprovação da PEC, a Polícia Federal tem atuado, dentro de seus limites, com total independência e com muito mais eficiência do que no governo anterior. “Em quatro anos no governo passado, a Polícia Federal fez 6.500 operações. No nosso governo, até agora, foram feitas 10.002 operações. Agora é palavra de ordem: a Polícia Federal tem independência na sua ação. A gente não se mete na apuração. O que eu digo para os delegados é que não mintam, não façam pirotecnia. Porque quando vocês acusam uma pessoa publicamente sem prova, vocês destroem a vida da pessoa. Então é preciso ter respeito”.
DEFESA – O presidente também destacou que é preciso que o país invista em defesa, principalmente diante de um cenário internacional tão instável. “Nós temos que discutir a indústria da defesa no Brasil. Não pode um país com 16.800 quilômetros de fronteira seca, com 8.500 quilômetros de fronteira marítima, com 12% de água doce do mundo, com a maior floresta tropical do mundo, com terra rara, com minérios críticos, com tanto petróleo, ser desprovido de segurança. Nós nunca levamos a sério essa questão da segurança. Hoje, o mundo está exigindo que o Brasil pense em segurança com mais seriedade”, concluiu Lula.
