Audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (10) teve como tema a transferência do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) da Alameda Botafogo, no Centro, para a Rua Francisca Costa Cunha D. Tita, no Setor Aeroporto.
Moradores do bairro não querem a mudança de endereço, alegando impactos na segurança, mobilidade, organização urbana e na qualidade de vida da vizinhança devido à presença de moradores de rua. O temor é que eles se aglomerem nas ruas e calçadas da região, montando barracas para morar, assim como ocorreu na Praça Doutor Carlos de Freitas, em frente ao local anterior do Centro POP.
O vereador Coronel Urzêda (PL), que presidiu a audiência pública, afirmou que não se deve criminalizar moradores de rua, mas reconhecer que alguns podem estar envolvidos com o tráfico de drogas. “É natural que qualquer mudança que impacte a dinâmica social de um bairro gere dúvidas e apreensões.O que não é aceitável é que essas decisões ocorram sem diálogo, sem explicações claras e sem planejamento adequado”, disse.
Falando em nome dos moradores do Setor Aeroporto, Bento Baeta disse que não houve, por parte da Prefeitura, um estudo de impacto ambiental e social, junto aos moradores, que o Centro POP poderia causar na região. Outro problema seria o possível aumento na violência no bairro, devido ao aumento da presença de usuários de drogas, que cometem roubos e furtos para comprar droga.
“Também tememos o assédio que mulheres e idosas poderão sofrer dessas pessoas. Muitas senhoras circulam por lá, pois a Associação dos Idosos do Brasil fica na mesma rua”, afirmou Bento. Disse ainda que idosas relataram que já presenciaram alguns tomando banho nus em plena rua, uma vez que o Centro POP já está em funcionamento, o que aumentou o número de moradores de rua na região.
O Coronel Batista, do 38º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento no Setor Aeroporto, prometeu dobrar o efetivo e designar um policial militar oficial para a região. “Não toleraremos qualquer ato criminoso ou obsceno, além do uso de drogas. Criaremos um grupo de Whatsapp com os moradores e comerciantes do Setor Aeroporto para que possam imediatamente reportar qualquer problema, estabelecendo um canal rápido de comunicação e de pronta resposta.”
O secretário executivo e subcomandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), inspetor Washington Moreira dos Santos, anunciou que o Comando-Geral da GCM será transferido para o prédio em frente ao Centro POP. “Hoje, estamos num local pequeno e não estratégico, ao lado da Comurg. Com a mudança, instalaremos lá todo o operacional e administrativo da guarda. Só na nossa base administrativa são em torno de 100 GCMs trabalhando. Serão mais viaturas circulando, aumentando, assim, a sensação de segurança para a região”, afirmou.
O novo prédio precisará ser reformado para receber a GCM. Dessa forma, o subcomandante foi questionado sobre quando seria a mudança, “Independente da base estar lá, teremos atenção maior com viaturas o tempo todo na região, até que a gente se mude”, respondeu.
Durante a fala de moradores que participaram da audiência foi questionado por que a Prefeitura não ajuda as pessoas em situação de rua oferecendo emprego, para que saiam da condição que estão, ao invés de oferecer banho, comida e cama para dormir.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, Erizânia Eneas de Freitas, rebateu explicando que a Política Nacional para População em Situação de Rua prevê que os Centros POPs ofereçam banho, lavanderia, atendimento com psicólogos, assistentes sociais e advogados. Além disso, há parcerias com a Prefeitura, Senai e Senac para oferta de empregos e cursos de capacitação profissional. “Nesse ano, nós encaminhamos mais de 200 pessoas para o mercado de trabalho”, afirmou.
Ela explicou que a aglomeração em frente ao endereço na Alameda Botafogo se devia ao fato de o espaço não ter refeitório. Portanto, as pessoas tinham que comer do lado de fora. O local escolhido para o Centro POP no Setor Aeroporto é mais amplo, tem acessibilidade e foi cedido pela União para o Município, portanto sem necessidade de pagar aluguel.
Para evitar que um novo acampamento se forme na porta do novo Centro POP, a secretária prometeu oferecer aluguel social, por meio de programa estadual. “O governo do estado disponibilizou para esse ano quatro mil aluguéis sociais para Goiânia. Agora, estamos com inscrições abertas para mil aluguéis sociais ainda disponíveis”, disse.
Como forma de tranquilizar os moradores, a secretária avisou que o Centro POP não ficará permanentemente no Setor Aeroporto. “Temos, hoje, destinado R$2,3 milhões para a construção de um Centro Pop definitivo. O terreno escolhido é próximo da rodoviária e o projeto está em fase de elaboração da licitação. Terminadas as etapas de preparação, o prazo para construção é de oito meses.”
