A Capes/MEC criou, nesta quarta-feira (8), o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI) para ampliar o acesso e assegurar a permanência e o êxito de estudantes indígenas na pós-graduação stricto sensu . A ação prevê a concessão de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições de educação superior e pesquisa.
Instituído pela Portaria nº 150/2026 , o programa foi elaborado em parceria com a União Plurinacional dos Estudantes Indígenas (UPEI). A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, afirmou que a iniciativa atende a demandas dos estudantes.
Lançamento de programa reuniu a CAPES, o Ministério da Educação e pessoas indígenas ligadas à Educação (Gabriela Eleotério – CAPES)
“Ciência se faz também nas aldeias. Ciência é conhecimento. Precisamos cada vez mais promover a troca de conhecimento. Não uma educação hierarquizada, mas uma educação dialógica”, afirmou.
Para o secretário substituto de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), Cleber Santos Vieira, o programa amplia o acesso para as populações indígenas. “Democratiza o acesso, democratiza a pós-graduação no Brasil. É um passo na construção de universidades com pós-graduação com a cara do Brasil”, disse.
O objetivo do PDAI é reforçar a defesa de direitos à educação de qualidade, o desenvolvimento sustentável das comunidades e a busca de soluções para desafios nas áreas de saúde, educação e meio ambiente, por exemplo.
Representante da UPEI, Seribí Tukano destacou a construção coletiva do programa. “Aos 75 anos, a CAPES mostra que é também a casa dos povos indígenas. Este programa foi construído conosco, com as pessoas que vieram propor essa parceria”, assegurou.
Denise Pires de Carvalho assina o documento de criação do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena
A coordenadora-geral da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas, Mariazinha Baré, destacou a importância das pesquisas colaborativas previstas no programa, além do investimento em ações de extensão universitária e a realização de eventos científicos voltados à troca de conhecimentos. “Nós fazemos ciência, também, como povos indígenas. Temos que levar nosso conhecimento para as universidades”, disse
O programa ainda financiará publicações, traduções e repositórios digitais com a finalidade de divulgar iniciativas científicas para valorizar e preservar os conhecimentos indígenas. Outra linha de atuação será o apoio à formação e capacitação de professores e pesquisadores indígenas que atuem ou queiram trabalhar na pós-graduação.
A presidente da CAPES com mulheres indígenas ligadas à Educação Foto: Gabriela Eleotério – CAPES
“O programa pode potencializar o pesquisador indígena”, afirmou a presidente da Juventude Munduruku do Amazonas, Danielle Munduruku. “O indígena que se forma na pós-graduação pode concorrer a concursos e fazer parte das instituições de ensino”.
Já a presidente do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas, Alva Rosa Tukano, falou que indígenas ingressam mais tarde na pós-graduação com particularidades. “Fiz minha pós-graduação aos 40 anos, já mãe de duas filhas. E nós moramos longe das capitais, então trazemos a família para a cidade”.
A seleção de bolsistas e projetos poderá ser feita por editais, chamadas públicas, acordos de cooperação e portarias específicas. As ações serão realizadas pela CAPES ou em parceria.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
(Brasília – Redação ASCOM/CAPES)
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