O Governo do Brasil reafirmou, nesta terça-feira (11/6), o compromisso do Estado brasileiro para o enfrentamento à desinformação e à proteção da Amazônia e de seus povos. O ato ocorreu, no Palácio Itamaraty, em Brasília, durante a solenidade de entrega de prêmios do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.
A cerimônia também homenageou o legado do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, que foram assassinados em 2022 no Vale do Javari (AM). O concurso visa transformar a memória de suas trajetórias em fomento para quem atua no enfrentamento à desinformação e na proteção da Amazônia e de seus povos. A abertura foi marcada pela execução do Hino Nacional Brasileiro em língua indígena Tikuna, interpretado pela artista e jornalista Djuena Tikuna.
O evento reuniu autoridades do Governo Federal, representantes de organismos internacionais e lideranças da sociedade civil. A atividade é parte das ações construídas em diálogo entre o Estado brasileiro, os peticionários, os beneficiários e organismos internacionais no âmbito das Medidas Cautelares 449-22 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
O papel transformador do jornalismo de campo também foi defendido pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Sidônio Palmeira. Ele enfatizou que a iniciativa reflete uma busca por justiça e memória. “A Secom tem trabalhado para a construção de um concurso que valorize o jornalismo e a liberdade de expressão. Na verdade, é um momento e uma manifestação de questionamento, de indignação por tudo o que aconteceu com Bruno e Dom, que lutaram na defesa do meio ambiente e das terras amazônicas.”
HOMENAGEM ÀS FAMÍLIAS — A solenidade reservou um momento de homenagem em reconhecimento à memória e ao respeito às famílias de Bruno Pereira e Dom Phillips. Foram convidadas ao palco a Fundadora e Diretora-Presidente do Instituto Dom Phillips, Alessandra Sampaio, representando os familiares do jornalista, e a Diretora de Povos Isolados e de Recente Contato do Ministério dos Povos Indígenas, Beatriz Matos, representando os familiares do indigenista.
Ao receber a honraria, Alessandra Sampaio destacou o impacto do concurso na continuidade do trabalho de documentação da região: “Os mais de 900 comunicadores inscritos no concurso representam a esperança de continuar mostrando a realidade e a potência da Amazônia em campo”.
Por sua vez, Beatriz Matos reforçou o verdadeiro significado da homenagem ao falar sobre o compromisso com a floresta: “Acredito que a verdadeira honra que a gente pode fazer ao trabalho do Bruno e à sua vida, e a tudo que ele fez, é a proteção aos povos indígenas isolados e de recente contato, sobretudo. É bonito ver que, realmente, a gente não está sozinha com as nossas dores.”
Em um gesto de respeito, as autoridades presentes na mesa de abertura realizaram a entrega formal de flores e placas honoríficas às representantes antes dos pronunciamentos oficiais. Esse momento de memória dos homenageados foi encerrado com a exibição de um vídeo institucional focado na trajetória de Dom e Bruno, seguido por uma segunda apresentação musical da artista Djuena.
O CONCURSO – O certame contou com mais de 900 inscrições efetivadas de diferentes regiões do Brasil. Desse total, foram selecionadas cinco para cada uma das seis categorias. A coordenação da iniciativa foi a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), por meio da Secretaria de Políticas Digitais (SPDigi), em parceria com os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e das Relações Exteriores (MRE). A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apoiou o concurso. O financiamento contou com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
As organizações da sociedade civil também contribuíram com o concurso: União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Artigo 19 Brasil e América do Sul, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), Instituto Vladimir Herzog, Washington Brazil Office, Tornavoz e Instituto Dom Phillips.
No total, foram distribuídos R$300 mil em reconhecimento aos vencedores. Os primeiros colocados receberam R$30 mil, enquanto os segundos e terceiros lugares receberam R$15 mil e R$5 mil, respectivamente. Confira as iniciativas vencedoras de acordo com as categorias:
Categoria 1 – Reportagem em Texto
1º Lugar: Missão Yanomami – Aline Diniz e Lucas Moraes
2º Lugar: Por que os Maxakali estão convocando os espíritos para recuperar a Mata Atlântica – Xavier Bartaburu
3º Lugar: Expedição ao Mamoriá Grande: indigenistas decifram sinais na floresta para proteger grupos isolados da Amazônia – Leão Serva
4º Lugar (Finalista): Solução Final – Fabíola Mendonça de Vasconcelos
5º Lugar (Finalista): Riscos de explosões e contaminações: petroleira quer estocar gás embaixo do solo de Alagoas – Lucas Maia e Thiago Aquino
Categoria 2 – Fotojornalismo, Ilustração, Charge, Cartum, HQs ou Grafite
Menção Honrosa: Fotografias de Tânia Alves Rego
1º Lugar: Memória visual do Vale do Juruá: a Amazônia acreana em tempos extremos climáticos – Paulo Henrique da Costa Silva
2º Lugar: A Floresta Sabe: governança territorial Ashaninka e regeneração da Amazônia. – Davison Brasileiro
3º Lugar: Cicatrizes da Pior Seca na Amazônia – Michael de França
4º Lugar (Finalista): “Vocês, Cutias, são as nossas jardineiras”, diz castanheira-do-pará – Pablito Aguiar
5º Lugar (Finalista): Corpo Território – Endora Freitas
Categoria 3 – Reportagem Audiovisual
1º Lugar: Dois Mundos – Vinicius Sassine
2º Lugar: Kinja – Gente de Verdade – Ruthiene Bindá
3º Lugar: Suraras da Amazônia – Magabi Matos
4º Lugar (Finalista): Força das Raízes – Lívia Bonard
5º Lugar (Finalista): As Dançadeiras de São Gonçalo – Jorge Andrade
Categoria 4 – Iniciativa de Comunicação de Autoria Indígena
1º Lugar: Os “índios” que não tinham nome – Paulo Jeremias Aires
2º Lugar: Maira Porongyta – o aviso do céu – Kujãesage Kaiabi
3º Lugar: Etnias — A primeira rede social criada por povos originários – Eliaquim Terena
4º Lugar (Finalista): Os Nawa e o Desequilíbrio da Terra – Niara da Silva Muniz Nukini
5º Lugar (Finalista): O Tempo Dança Onde a Terra Canta – Ney Pankararu
Categoria 5 – Iniciativa de Comunicação de Autoria de Comunidade Tradicional
1º Lugar: Podcast Viver Mumbucar – Núbia Matos da Silva
2º Lugar: Rádio e TV Quilombo – Raimundo José da Silva Leite
3º Lugar: Maraká Urbano – Bruno Amorim
4º Lugar (Finalista): Kalunga do Rosário | Capitão Washington Luís (Kamugenan) – Washington Luis
5º Lugar (Finalista): Paiter Suruí, Gente de Verdade. Um projeto do Coletivo Lakapoy – Ubiratan Gamalodtaba Suruí
Categoria 6 – Iniciativa de Educação Midiática
1º Lugar: Do Orum ao Ayê – Publicação educativa para combate à desinformação sobre religiões de matriz africana – Volume 1 – Ravik Oliveira
2º Lugar: IndiGenAI: Povos Indígenas e o Bem Viver Digital – Alexsandro Cosmo de Mesquita
3º Lugar: Podcast Crianças Sabidas – Série Trilhinhas Amazônicas – Akemi Nitahara Souza
4º Lugar (Finalista): Reaproprio-me de mim e Futuro Subjuntivo – Formação para educadores – Miriane Figueira
5º Lugar (Finalista): Especiais do Armazém Memória – Julio Capriglione Zelic
