segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante o período de chuvas em Goiânia

O período de chuvas em Goiânia exige cuidados para prevenir dengue, chikungunya, leptospirose, doenças diarreicas, acidentes e agravamento de problemas respiratórios. Veja como proteger a família antes, durante e depois das precipitações.

Os cuidados com a saúde durante o período de chuvas em Goiânia devem fazer parte da rotina dentro e fora de casa. A combinação de calor, umidade e acúmulo de água pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika. Já os alagamentos podem aumentar o risco de leptospirose, doenças diarreicas, infecções de pele, acidentes e contato com animais peçonhentos.

A prevenção começa antes da chuva, com a limpeza de quintais, calhas, ralos e recipientes que possam acumular água. Durante os temporais, é importante evitar áreas alagadas e seguir as orientações dos órgãos públicos. Depois da passagem da água, a população deve redobrar os cuidados com a limpeza, o consumo de água e alimentos e a observação de sintomas.

As recomendações abaixo seguem orientações do Ministério da Saúde e informações da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.

Elimine os criadouros do mosquito

O Aedes aegypti se reproduz em recipientes com água parada. Por isso, a vistoria dos imóveis deve ser feita com frequência e também após cada chuva. Vasos de plantas, pneus, garrafas, latas, lonas, brinquedos, calhas, caixas-d’água, ralos e bandejas de ar-condicionado estão entre os locais que precisam ser verificados.

  • Retire a água acumulada em pratos de plantas e lave os recipientes com água e sabão;
  • Mantenha caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios completamente tampados;
  • Limpe calhas e lajes para evitar pontos de acúmulo;
  • Guarde pneus em local coberto ou encaminhe-os para descarte adequado;
  • Coloque garrafas e recipientes vazios de cabeça para baixo;
  • Evite o acúmulo de entulho e lixo em quintais, terrenos e áreas comuns;
  • Mantenha piscinas tratadas e cobertas quando não estiverem em uso;
  • Confira vasos sanitários sem uso e recipientes destinados a animais.

A limpeza deve incluir as bordas e superfícies dos objetos que armazenam água, porque os ovos do mosquito podem permanecer aderidos nesses locais. Reservatórios usados para captar água da chuva também precisam ficar fechados.

Use proteção contra picadas

A prevenção dentro de casa deve ser combinada com medidas de proteção individual. O uso de telas em portas e janelas, mosquiteiros e roupas que cubram braços e pernas pode reduzir o contato com o mosquito. O repelente deve ser aplicado nas áreas expostas do corpo conforme as instruções do fabricante.

Em crianças, é necessário observar a indicação de idade e a concentração do produto. Crianças pequenas não devem usar repelentes sem orientação adequada. Gestantes também devem seguir as recomendações da embalagem e dos profissionais de saúde. O repelente não substitui a eliminação dos criadouros.

Como o Aedes aegypti costuma picar principalmente durante o dia, a proteção não deve ficar restrita ao período noturno. A atenção é importante em casa, no trabalho, na escola e durante atividades ao ar livre.

Fique atento aos sintomas de dengue, chikungunya e zika

Febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo, manchas vermelhas na pele, náuseas e mal-estar podem ocorrer em infecções transmitidas pelo mosquito. A chikungunya pode provocar dores intensas nas articulações, enquanto a zika costuma apresentar manchas e coceira, embora os sintomas possam variar.

Ao apresentar sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação. É importante informar quando os sinais começaram e se houve exposição a áreas com muitos mosquitos ou casos conhecidos de arboviroses.

Durante a suspeita de dengue, a hidratação é importante, mas a escolha de medicamentos deve ser feita com orientação profissional. O ácido acetilsalicílico, conhecido como aspirina, não deve ser usado em caso de suspeita da doença. Também não é recomendado tomar medicamentos por conta própria, especialmente anti-inflamatórios, sem avaliação de um profissional.

Sangramentos, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sonolência ou irritabilidade, dificuldade para respirar, tontura, queda de pressão e piora repentina exigem atendimento imediato. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial.

Evite contato com água de alagamentos

A água de enchentes e alagamentos pode conter lama, esgoto, resíduos químicos, microrganismos e urina de animais. Por isso, não deve ser usada para beber, cozinhar, escovar os dentes, lavar alimentos ou tomar banho.

Também é importante não atravessar áreas alagadas a pé ou de veículo. A água pode esconder buracos, bueiros abertos, fios elétricos, objetos cortantes e animais. Mesmo quando parece rasa, a correnteza pode arrastar pessoas e veículos.

Se o contato com a água contaminada for inevitável durante uma ação de limpeza ou resgate, use botas e luvas impermeáveis. Na ausência desses equipamentos, sacos plásticos resistentes podem ser utilizados como proteção provisória, desde que não haja exposição direta da pele. Feridas e cortes devem ser cobertos antes do contato com a água.

Previna a leptospirose depois da enchente

A leptospirose é uma infecção causada por bactéria presente na urina de animais infectados, principalmente ratos. Em situações de alagamento, a bactéria pode se espalhar pela água e pela lama e entrar no organismo por meio de cortes, ferimentos ou contato com mucosas.

Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dor muscular, especialmente nas pernas, calafrios, náuseas, vômitos e olhos avermelhados. Eles podem surgir dias depois da exposição. Ao apresentar sinais compatíveis após contato com enchente ou lama, procure atendimento e informe ao profissional de saúde a situação vivenciada.

A limpeza de pisos, paredes e objetos atingidos pela água deve ser feita com proteção e desinfecção adequada. Alimentos que tiveram contato com a água de enchente devem ser descartados. Utensílios e superfícies precisam ser higienizados antes de voltar ao uso.

Cuide da água e dos alimentos

Após alagamentos, a água da rede pode sofrer contaminação ou ter a qualidade comprometida. Se houver orientação das autoridades para não consumir a água, siga a recomendação até que o abastecimento seja considerado seguro. Na dúvida, utilize água potável engarrafada ou água tratada conforme orientação oficial.

Não consuma alimentos que tenham entrado em contato com água de enchente, lama ou esgoto. Descarte produtos com embalagem danificada, molhada ou estufada. Frutas, verduras e outros alimentos devem ser lavados e higienizados antes do consumo, conforme as orientações sanitárias.

Diarreia, vômitos, dor abdominal e sinais de desidratação merecem atenção. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem se desidratar mais rapidamente. Procure atendimento se houver sangue nas fezes, febre alta, piora do estado geral ou dificuldade para manter líquidos.

Redobre os cuidados com doenças respiratórias

O período chuvoso pode aumentar a permanência das pessoas em ambientes fechados, favorecer mofo e elevar a umidade dentro das residências. Esses fatores podem agravar alergias, rinite, asma e outras condições respiratórias.

Para reduzir os riscos, mantenha os ambientes ventilados sempre que possível, evite o acúmulo de poeira e elimine focos de mofo com segurança. Pessoas com asma ou outras doenças respiratórias devem manter o tratamento prescrito e procurar orientação se houver falta de ar, chiado no peito, febre persistente ou piora dos sintomas.

Não misture produtos de limpeza, especialmente água sanitária com outros produtos químicos. A mistura pode liberar gases tóxicos e causar irritação nos olhos, na pele e nas vias respiratórias.

Tenha cuidado com animais peçonhentos

Escorpiões, aranhas, cobras e outros animais podem deixar seus esconderijos durante enchentes e após a movimentação de entulhos. Antes de retirar objetos, roupas, calçados ou móveis atingidos pela água, examine o local com cuidado e use luvas e calçados fechados.

Não coloque as mãos em buracos, frestas, caixas, pilhas de madeira ou materiais acumulados. Em caso de picada, mantenha a pessoa em repouso e procure atendimento. Não faça cortes, não tente sugar o veneno e não aplique substâncias caseiras sobre o ferimento.

Proteja crianças, idosos e pessoas vulneráveis

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem apresentar maior risco de complicações durante períodos de chuva intensa, alagamentos e surtos de doenças. Mantenha os medicamentos de uso contínuo protegidos da água e confira se há estoque suficiente para evitar interrupções do tratamento.

Em casas atingidas por enchentes, verifique se a instalação elétrica está segura antes de ligar aparelhos. Não permita que crianças brinquem em enxurradas, poças de água ou áreas com entulho. Também é importante acompanhar idosos e pessoas com mobilidade reduzida durante a saída de locais de risco.

Quando procurar atendimento

A procura por uma unidade de saúde é recomendada diante de febre persistente, falta de ar, dor intensa, vômitos repetidos, diarreia importante, sinais de desidratação, sangramentos, confusão mental, piora súbita ou sintomas após contato com água de enchente.

Informe ao profissional se houve contato com água contaminada, lama, animais, mosquitos ou alimentos suspeitos. Essa informação ajuda na avaliação do risco e na escolha da conduta adequada.

Em Goiânia, a população pode buscar orientação nos canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde e acompanhar comunicados dos órgãos públicos durante períodos de chuva intensa. Em situações de emergência, siga as instruções da Defesa Civil e não retorne a áreas interditadas sem autorização.

Checklist para a família

  • Verificar o quintal, as calhas, os ralos e os reservatórios depois da chuva;
  • Eliminar qualquer recipiente com água parada;
  • Manter caixas-d’água e recipientes sempre tampados;
  • Usar repelente conforme a indicação do fabricante;
  • Não atravessar alagamentos a pé ou de carro;
  • Evitar água, lama e alimentos que tiveram contato com enchentes;
  • Usar luvas e botas na limpeza de áreas atingidas;
  • Observar sintomas de dengue, leptospirose e doenças diarreicas;
  • Procurar atendimento diante de sinais de alerta;
  • Acompanhar as orientações oficiais durante temporais e alagamentos.

Com medidas simples e atenção aos sinais de risco, é possível reduzir os impactos das chuvas sobre a saúde. A prevenção depende tanto da organização de cada imóvel quanto da colaboração da comunidade para eliminar criadouros, descartar resíduos corretamente e evitar a exposição a áreas perigosas.