A temporada de queimadas em Goiás exige atenção redobrada com a saúde. A fumaça pode alcançar áreas distantes dos focos de incêndio e carregar partículas finas, monóxido de carbono e outros poluentes capazes de irritar os olhos, o nariz e a garganta, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Em Goiânia e em outras cidades goianas, a recomendação principal é reduzir o tempo de exposição à fumaça, acompanhar os alertas oficiais sobre a qualidade do ar e evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos mais críticos. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica, problemas cardíacos ou baixa imunidade precisam de cuidados adicionais.
Por que a fumaça das queimadas faz mal?
A fumaça produzida por incêndios e queimadas contém material particulado e gases que podem penetrar no sistema respiratório. As partículas mais finas, como o MP2,5, conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões e estão associadas ao agravamento de sintomas respiratórios e a riscos cardiovasculares.
A exposição pode provocar ardência e vermelhidão nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse, chiado, dor de cabeça, cansaço e falta de ar. Em pessoas que já têm doenças crônicas, a fumaça pode desencadear crises e aumentar a necessidade de atendimento médico.
Os efeitos não dependem apenas da proximidade do fogo. As condições do vento, da umidade e da circulação atmosférica podem transportar a fumaça para áreas urbanas e rurais afastadas dos focos. Por isso, a ausência de chamas nas proximidades não significa necessariamente que a qualidade do ar esteja adequada.
Quem deve redobrar os cuidados
Embora qualquer pessoa possa apresentar sintomas após respirar ar poluído, alguns grupos são mais vulneráveis:
- crianças, especialmente as menores de 5 anos;
- pessoas idosas;
- gestantes;
- pessoas com asma, bronquite, rinite, DPOC ou outras doenças respiratórias;
- pessoas com doenças cardíacas;
- pessoas imunossuprimidas ou com outras condições crônicas;
- trabalhadores que permanecem em áreas externas ou próximas a focos de fumaça.
Esses grupos devem manter medicamentos prescritos disponíveis e seguir o plano de tratamento definido pelo profissional de saúde. Não é recomendado interromper, alterar ou substituir medicamentos por conta própria.
Como reduzir a exposição à fumaça
A principal medida é permanecer em ambientes internos e protegidos quando houver fumaça intensa ou alerta de piora da qualidade do ar. Sempre que possível, mantenha portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes. O ambiente deve conservar uma temperatura confortável, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
Quando houver ar-condicionado, a função de recirculação pode ajudar a reduzir a entrada de ar externo, desde que o aparelho esteja em boas condições e com filtros limpos. Equipamentos de filtragem também podem ser úteis em locais fechados, mas não substituem a necessidade de acompanhar os alertas e evitar a exposição.
Evite varrer cinzas ou resíduos de queimadas a seco. A movimentação do material pode colocar partículas novamente em suspensão. Quando houver necessidade de limpeza, siga orientações dos órgãos locais e reduza a dispersão de poeira, sem entrar em áreas diretamente atingidas pelo fogo ou sem autorização das equipes responsáveis.
Também não consuma alimentos, bebidas ou medicamentos que tenham ficado expostos à fumaça, às cinzas ou a outros detritos da queima.
Quando usar máscara PFF2 ou N95
Se sair de casa for indispensável durante um episódio de fumaça, a orientação do Ministério da Saúde é dar preferência a respiradores do tipo PFF2, N95 ou P100, corretamente ajustados ao rosto. Esses modelos ajudam a reduzir a inalação de partículas presentes na fumaça.
A máscara precisa cobrir o nariz e a boca, sem folgas significativas nas laterais. Barba, vazamentos e uso incorreto podem comprometer a proteção. O respirador deve ser mantido limpo e seco e trocado quando estiver danificado, sujo, úmido ou com dificuldade para respirar.
Máscaras cirúrgicas, panos, lenços e bandanas não oferecem a mesma proteção contra partículas finas. Além disso, os respiradores filtram partículas, mas não eliminam todos os gases presentes na fumaça. Por isso, o uso da máscara não deve ser interpretado como autorização para permanecer em áreas muito poluídas ou próximas ao fogo.
Cuidados com exercícios, deslocamentos e trabalho
Evite exercícios e esforços físicos ao ar livre quando a qualidade do ar estiver comprometida. A atividade intensa aumenta a frequência respiratória e faz com que uma quantidade maior de poluentes seja inalada. Caminhadas, corridas, treinos e brincadeiras externas devem ser adiados ou transferidos para locais internos protegidos.
Atividades ao ar livre e trabalhos externos também devem ser reduzidos ou reprogramados quando houver fumaça, calor elevado ou baixa umidade. Empresas e responsáveis por equipes precisam avaliar pausas, hidratação, proteção respiratória e a possibilidade de mudar horários ou locais de execução das tarefas.
Ao dirigir em áreas com fumaça, mantenha as janelas fechadas e utilize o ar-condicionado no modo de recirculação. Redobre a atenção quando a visibilidade estiver reduzida. Se a fumaça comprometer a segurança da via, procure um local seguro e siga as orientações das autoridades.
Hidratação e baixa umidade do ar
Beber água regularmente ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias hidratadas, mas não neutraliza os efeitos da fumaça. A hidratação deve ser associada à redução da exposição, principalmente em dias quentes e secos.
A baixa umidade pode intensificar o ressecamento dos olhos, do nariz e da garganta. A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás também orienta atenção à hidratação, ao uso de soro fisiológico para higiene nasal e à permanência em ambientes ventilados ou climatizados quando possível. O uso de umidificadores deve ser feito com limpeza adequada para evitar a proliferação de microrganismos.
Não é necessário usar medicamentos, antibióticos ou soluções caseiras para prevenir os efeitos da fumaça. Em caso de sintomas, procure orientação profissional, sobretudo se houver doença respiratória ou cardíaca preexistente.
Como acompanhar a qualidade do ar e os alertas
Antes de sair, acompanhe as previsões meteorológicas, os boletins sobre queimadas e os avisos dos órgãos oficiais. O Ministério da Saúde disponibiliza informações sobre poluição atmosférica e saúde por meio do sistema VigiAR, que reúne dados para apoiar a avaliação dos riscos relacionados à qualidade do ar.
Também é importante seguir as instruções da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, das prefeituras e das secretarias de saúde. Em Goiás, os alertas podem trazer orientações específicas para períodos de fumaça intensa, calor extremo e baixa umidade.
Informações oficiais sobre os impactos das queimadas podem ser consultadas na página do Ministério da Saúde e nas orientações da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
Quais sintomas exigem atendimento
Procure um serviço de saúde se surgirem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, dor ou aperto no peito, confusão mental, desmaio, fraqueza intensa ou piora de uma doença respiratória ou cardíaca.
Em crianças, é importante observar respiração acelerada, dificuldade para respirar, retração da pele entre as costelas, sonolência incomum, recusa persistente de líquidos ou piora rápida do estado geral. Em pessoas com asma ou DPOC, o aumento do uso da medicação de resgate ou a ausência de melhora também indica a necessidade de avaliação.
Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192. O Corpo de Bombeiros atende ocorrências e resgates pelo 193. Em qualquer caso, siga a orientação dos serviços locais e não se aproxime de áreas atingidas pelo fogo para tentar ajudar sem treinamento ou equipamento adequado.
Checklist para a temporada de queimadas
- acompanhe alertas oficiais e informações sobre a qualidade do ar;
- evite exercícios e esforços ao ar livre durante episódios de fumaça;
- mantenha portas e janelas fechadas nos horários críticos;
- beba água regularmente;
- tenha medicamentos de uso contínuo disponíveis;
- use PFF2, N95 ou P100 em saídas necessárias;
- mantenha a máscara bem ajustada, limpa e seca;
- proteja especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas;
- procure atendimento diante de falta de ar, dor no peito ou piora dos sintomas;
- não entre em áreas de incêndio e siga as instruções das autoridades.
Com planejamento e redução da exposição, é possível diminuir os impactos da fumaça sobre a saúde durante a temporada de queimadas em Goiás. A orientação mais segura continua sendo evitar ambientes externos poluídos, acompanhar os comunicados oficiais e buscar atendimento rapidamente quando os sintomas forem intensos ou persistentes.