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Cisternas transformam a realidade de famílias no Semiárido

15 de abril de 2026
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Em Sergipe, o Programa Cisternas avança na construção de tecnologias sociais e acesso à água, promovendo segurança alimentar entre as famílias atendidasA história da agricultora Elenusia Conceição e do professor aposentado Edilson Andrade teve um ponto de virada em 24 de dezembro de 2025, com a instalação de uma cisterna ao lado da casa. A iniciativa representa a conquista de um direito fundamental: ter acesso à água de qualidade. A experiência do casal sergipano é um relato que reforça o papel da política pública na promoção da segurança alimentar e na transformação da realidade de famílias e comunidades no Brasil profundo: o Programa Cisternas.
Nascidos no Povoado de Tapado, localizado no município de Pedra Mole, interior de Sergipe, Elenusia e Edilson experimentaram a dificuldade de milhares de famílias que sofrem com a escassez de água no semiárido brasileiro. Duas vezes por dia – assim como a maioria das mulheres por lá – Elenusia caminhava uma distância de cerca de cinco quilômetros para buscar água. Era preciso aproveitar o esforço e trazer o máximo possível. Por isso, trazia água nos braços e na cabeça, com habilidade e resiliência. Algumas vezes tinha a companhia do marido, o que garantia quantidade maior para o consumo da família.
A mudança de vida veio em 2025, quando família ouviu as pessoas da vizinhança falando do Programa Cisternas, do Governo do Brasil. O casal soube que a organização social Sociedade de Apoio Socioambientalista e Cultural (SASAC) estava na comunidade, fazendo prospecção das famílias que poderiam receber as cisternas de água para consumo. Era o Governo Federal, em parceria com o Governo de Sergipe, mobilizando a população para definir quem iria receber as tecnologias ainda naquele ano.
Executado a partir da parceria do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com governos estaduais e municipais, consórcios públicos de municípios e organizações da sociedade civil, o Programa Cisternas se diferencia de outras políticas públicas de acesso à água por apoiar tecnologias sociais caracterizadas por serem simples, de baixo custo e de fácil gestão e manutenção pelos próprios beneficiários. Benefícios

Foto: Clarita Rickli / MDS

Em novembro, a SASAC, que atua no território como Entidade Executora do Programa Cisternas, fez a mobilização das famílias e o resultado tão aguardado, chegou: na primeira quinzena de dezembro, Elenusia e Edilson começaram a sonhar com dias melhores. “Quando o Programa Cisterna chegou aqui, não veio como uma gota d’água, mas um oceano para mudar a nossa vida. Porque não é só a cisterna, mas todo o suporte e o cuidado que vem com ela”, celebrou Edilson.
A forma de implementação dessas tecnologias sociais consiste em diversas etapas. Desde a mobilização social, até a formação dos beneficiários, essas etapas preliminares são consideradas tão importantes quanto a própria construção das estruturas de captação e armazenamento de água. “Ao envolver as comunidades em todas as etapas do processo, espera-se ampliar a sustentabilidade dos ganhos sociais associados a um acesso seguro à água”, avalia a diretora de Fomento e Acesso à Água, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Camile Sahb.
Hoje, com a cisterna ao lado de casa, Dona Elenusia caminha exatos 20 passos para levar água da cisterna até o filtro de barro, na cozinha. Ela conta com propriedade o que aprendeu no processo de capacitação do programa. Além das noções de cuidado e higienização das cisternas, o aprendizado foi além, com orientações de uso racional da água . “Uma pessoa como eu, já com meus 53 anos de idade, passar pelo que eu passei e estar aqui para contar essa história e viver esse momento, é maravilhoso! Não tem nada mais importante para nós do que cuidar bem dessa cisterna e da forma como a gente consome a água guardada nela”, relata a agricultora.
Um estudo da pesquisadora Daniela Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB) , publicado em 2017, aponta que as mulheres valorizam autonomia e ganho de tempo. O estudo conclui que o ganho de tempo representou um progressivo envolvimento dessas mulheres com atividades de outras naturezas ou mesmo uma maior autonomia delas na gestão do tempo.
Edilson, professor aposentado, se orgulha por seguir aprendendo e ensinando com a vivência de cada dia. A água armazenada na cisterna é utilizada pelo casal e o filho, mas é também partilhada com vizinhos que ainda não tiveram a mesma oportunidade: “afinal, água é um bem que não se deve negar a ninguém”, relata.
Na propriedade, tudo é produzido pelo casal, sem usar nenhum tipo de veneno. Com a chegada da cisterna, a água utilizada para consumo pode ser reutilizada no cultivo de frutas e verduras no quintal. “Aqui a gente não compra fruta nem verdura. Tudo tem aqui: laranja, acerola, seriguela, manga, coco, quiabo, couve, macaxeira. É tudo saudável. Uma verdadeira riqueza”, comemora com orgulho o professor.
Edilson conta que o nome do povoado tem origem em uma época em que a região era coberta por árvores de angico. De tão abundante, a espécie utilizada como corante natural, no curtume, para dar cor a peças como calçados, arreios, chapéus, gibão, tapava a paisagem. Com o tempo, a água ficou mais escassa, os rios, que passavam muito tempo secos, foram aterrados para ampliar a área de cultivo do milho. Hoje, no povoado de Tapado, restam poucas árvores da espécie.
Da cisterna para filtro de barro

Foto: Clarita Rickli / MDS

Da janela da cozinha, Elenusia, olha a cisterna enquanto enche o copo d’água que sai do filtro de barro. “Quando chego em casa, nem vou na geladeira. Corro para o filtro de barro, de onde tiro a água fresquinha. Beber água do pote de barro é uma tradição do povo daqui e hoje faz parte desse programa do governo”, conta Edilson.
O que é cultura local, se transformou em aprimoramento do Programa Cisternas. Desde a retomada do Programa, em 2023, cada família atendida, seja no Semiárido ou na Amazônia, recebe, junto com a cisterna de água para consumo, um filtro de barro. O utensílio feito por gente da própria região, veio para dar mais segurança para as famílias, que agora contam com água filtrada, fresquinha e bem guardada, na cozinha da casa.
Claudio Batista, técnico da SASAC, fala desse diferencial. “Essa novidade tem sido muito bem aceita pelas comunidades, não só porque desperta a memória afetiva das pessoas, mas também pelo entendimento da importância de ter um cuidado especial com a água para beber. É um item que traz excelência O que antes era uma orientação, hoje está materializada nesse item tão importante, que é o filtro de barro”, avalia. Além disso, segundo ele, o mercado local, fornecedor de utensílios de barro, que desde muito tempo é uma tradição no Semiárido, tem se aquecido e movimentado a economia local.
Para o engenheiro agrônomo e técnico da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania de Sergipe, Bráulio de Carli, o Programa Cisternas tem trazido uma solução para a área do semiárido no estado, porque dá segurança hídrica para famílias que não tinham acesso a esse direito até pouco tempo atrás. “Água é vida e água de qualidade é muito importante, porque ela beneficia as famílias com saúde, vai evitar doenças. Por isso que esse programa é uma parceria diferenciada”, avalia o técnico.
Sobre o Programa Cisternas
O Programa Cisternas é executado pelo Governo Federal, desde 2003 e tem objetivo promover o acesso à água para consumo humano e animal e para a produção de alimentos junto às famílias rurais em situação de baixa renda e a equipamentos públicos rurais (especialmente escolas) atingidos pela seca ou pela falta regular de água de qualidade.
Nos últimos anos, a prioridade de atuação do programa, com abrangência nacional, tem sido o Semiárido e a Amazônia, regiões com características climáticas e ambiental diferentes, mas cuja população rural em situação de pobreza enfrenta dificuldades para acessar água de qualidade, seja por uma questão de quantidade e qualidade, como é o caso da primeira região, como de potabilidade, como é o caso da segunda. A iniciativa busca enfrentar a questão da água com soluções tecnológicas adaptadas a cada contexto territorial e sociocultural.
De 2023 até o momento, foram entregues 121.240 cisternas e outras tecnologias sociais de acesso à água. Ao longo de seus mais de 22 anos, o Programa Cisternas já entregou cisternas em 1548 municípios, localizados em 19 estados, por meio de parcerias com governos estaduais e organizações da sociedade. O programa atua nos estados do Semiárido, na região Norte e no atendimento a demandas pontuais nos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e do Rio Grande do Sul. Em Sergipe, de 2023 até agora, foram entregues 2.626 cisternas, segundo dados do SIG Cisternas de abril deste ano.
Mais informações: Programa Cisternas

Assuntos Capa, Nacional
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