O município de Mossoró (RN) receberá a primeira Lavanderia Coletiva e Agroecológica em instalada em área rural no Brasil. A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), será inaugurada no Assentamento Mulugunzinho e deve beneficiar diretamente 80 famílias assentadas. O ato ocorre na próxima segunda-feira (13/4), às 14h, com a presença da ministra do MDA, Fernanda Machiaveli.
O Projeto Lavanderias Coletivas e Agroecológicas foi elaborado a partir de demandas apresentadas na Marcha das Margaridas e tem como objetivo promover tecnologias e inovações socioambientais que fortaleçam a autonomia das mulheres camponesas em assentamentos e comunidades quilombolas. A proposta integra atividades domésticas coletivas a práticas de convivência com o semiárido, com foco em segurança hídrica, uso de energia renovável, produção agroecológica familiar e comercialização solidária.
Investimento
Para a implementação no Rio Grande do Norte, o MDA destinou mais de R$ 3,66 milhões, enquanto o Ministério das Mulheres investiu R$ 1,5 milhão por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED). Outros assentamentos também serão contemplados com unidades do projeto: Assentamento Arizona, em São Miguel do Gostoso; Agrovila Tabuleiro Alto (Santa Maria), em Ipanguaçu; e Assentamento Lagoa Nova, em Riachuelo. Ao todo, 162 mulheres participarão diretamente da gestão das lavanderias, com impacto estimado em pelo menos 400 famílias no estado.
Outras entregas e anúncios
Durante o evento, serão entregues 20 Quintais Produtivos, iniciativa voltada à promoção da autonomia econômica de mulheres rurais. Desde 2023 já foram implantados 1.566 quintais no Rio Grande do Norte, com investimento superior a R$ 7,6 milhões. Também será entregue à Associação Xique Xique o Selo Biocombustível Social. No local são comercializadas polpas de frutas oriundas dos quintais produtivos da comunidade. Em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), serão entregues 28 títulos de terra, sendo 19 em nome de mulheres.
A programação inclui ainda a inauguração de um poço tubular equipado com sistema de bombeamento movido à energia solar fotovoltaica, em modelo off-grid (isolado da rede elétrica). A estrutura dispensa conexão com a rede convencional e representa um avanço para a segurança hídrica no semiárido, ampliando a autonomia produtiva, a regularidade no abastecimento de água e o fortalecimento dos sistemas agroecológicos.
Também será anunciada a destinação de R$ 2 milhões para a criação do Projeto Viveiro de Mudas da Juventude, voltado à produção de espécies nativas da caatinga para reflorestamento de assentamentos e recuperação de áreas degradadas, além da comercialização de mudas. O recurso será viabilizado por meio de TED com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).
