
O nome de Goiânia brilhou no pódio internacional do Campeonato Pan-Americano de Triathlon, no último domingo (8/6), em Calima, na Colômbia. Representando o Brasil, com garra, esforço e recursos próprios, a agente de trânsito da Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET), Cris Cunha, foi campeã na categoria de 50 a 54 anos, em uma prova que exigiu mais do que preparo físico: exigiu alma, fé e superação.
Por trás desta vitória, há uma história comovente. Em 2016, Cris perdeu sua única filha, Ana Cristina Mendonça, de apenas 12 anos, para a mielodisplasia, um tipo de câncer no sangue. Durante a luta pela vida da menina, foi lançada a campanha “Todos pela Aninha”, que mobilizou centenas de pessoas e resultou na formação de um banco expressivo de doadores de medula óssea em Goiás. A cura da filha, infelizmente, não veio, mas o legado permanece vivo: os doadores cadastrados naquela época continuam disponíveis para salvar vidas.
Após a perda, Cris mergulhou em um luto profundo e enfrentou a depressão. “Não me adaptei a nenhum remédio, tudo me fazia muito mal, misturado à dor. Foi através do esporte que vi uma luz no fim do túnel para não me entregar à morte”, conta. Foi no triathlon — esporte que une natação, ciclismo e corrida — que ela encontrou saúde e forças para seguir. A agente passou a integrar a Confederação Brasileira de Triathlon e, aos poucos, escreveu uma nova história com o mesmo nome que um dia estampou a luta pela vida: resiliência.

O secretário de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, parabenizou a servidora e destacou seu papel inspirador na equipe. “A Cris é uma mulher admirável. Sua história é uma prova viva de que é possível transformar dor em serviço ao próximo. Ela faz a diferença todos os dias na nossa secretaria, seja como agente de trânsito ou como exemplo de superação. Nos orgulhamos de ter alguém como ela conosco.”
A vitória no Pan-Americano tem um significado que vai muito além da medalha: “É uma ressignificação de um novo ciclo da vida. Que, após o luto, podemos vivenciar e continuar a desfrutar da vida. Somos um milagre das nossas dores e sofrimentos. E eles podem nos destruir, se desistirmos de viver. Mas também podem nos reconstruir para vivenciar um novo ciclo. E este novo ciclo é de saúde e bem-estar, que o esporte nos proporciona.”
Em cada quilômetro percorrido, em cada gota de suor, Cris leva consigo a saudade da filha, que partiu cedo demais, mas deixou uma missão de amor e força. “Além de viver honrando a memória da minha filha, que vivia intensamente e feliz, porque, certamente, se ela pudesse me ver, gostaria de me ver bem e feliz. Por isso levo ela dentro de mim, em tudo que faço”, finaliza a nossa campeã.

Fotos: SET
Secretaria de Engenharia de Trânsito (SET) – Prefeitura de Goiânia
