Do relato jornalístico sobre o caso Wallace Souza à pesquisa acadêmica relacionada às mulheres indígenas Kokama, o audiovisual aparece em diferentes momentos da trajetória de Paula Litaiff. Jornalista amazonense, ela participou da série documental “Bandidos na TV”, disponibilizada pela Netflix, e teve um vídeo documental relacionado à sua dissertação de mestrado divulgado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2025.
A presença em produções audiovisuais integra um percurso profissional mais amplo, que também inclui trabalho em redações, atuação como comentarista, colaboração com veículos nacionais, direção editorial e produção acadêmica. Natural de Manaus, Paula é fundadora da Rede Cenarium e diretora-geral da Revista Cenarium.
Seus perfis institucionais registram cerca de duas décadas de experiência na área de Comunicação Social. Ao longo desse período, a Amazônia permaneceu como eixo recorrente de sua atividade profissional, tanto na cobertura de acontecimentos políticos e urbanos quanto na pesquisa sobre questões sociais e culturais da região.
O caso Wallace Souza em uma produção da Netflix
Um dos trabalhos de maior circulação da trajetória de Paula Litaiff foi a participação em “Bandidos na TV”, conhecida em inglês como “Killer Ratings”. A série documental aborda o caso Wallace Souza, no Amazonas, e foi disponibilizada pela Netflix.
Paula participou como uma das profissionais que narraram os acontecimentos à equipe responsável pelo documentário. Sua contribuição esteve relacionada à experiência acumulada na cobertura jornalística do caso e à atuação em reportagens sobre o Amazonas.
A participação na produção levou uma experiência de apuração realizada no contexto regional a uma obra destinada a uma audiência mais ampla. O trabalho se somou a outras atividades desenvolvidas pela jornalista em diferentes meios de comunicação, como jornais impressos e digitais, rádio, televisão e plataformas de alcance nacional.
Da cobertura diária à pesquisa sobre mulheres Kokama
A relação de Paula com o audiovisual também aparece em sua formação acadêmica. Mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Ufam, ela desenvolveu uma pesquisa sobre a resistência de mulheres indígenas Kokama, com atenção às lideranças femininas do Parque das Tribos, em Manaus.
Em junho de 2025, a Ufam divulgou um vídeo documental relacionado à dissertação. A produção aproximou o trabalho universitário da linguagem audiovisual e registrou uma etapa da pesquisa sobre a atuação e a resistência dessas mulheres.
A pesquisa acadêmica passou a integrar uma trajetória que já incluía a apuração jornalística e a elaboração de conteúdos para diferentes públicos. Além do mestrado, Paula possui graduação em Jornalismo e formação especializada em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos.
O perfil publicado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também registra especialização em Ciências Políticas. Esses campos de formação estão relacionados à compreensão das instituições, das desigualdades e das relações entre sociedade e poder.
Experiência em jornais do Amazonas
Antes de assumir funções de direção editorial, Paula trabalhou como repórter nos jornais Diário do Amazonas, A Crítica e Amazonas Em Tempo. Nesse período, atuou nas editorias de Polícia, Cidades e Política.
As áreas cobertas reuniam acontecimentos da vida urbana, temas ligados à segurança pública e assuntos relacionados ao poder político no Amazonas. A passagem por diferentes editorias formou a base de uma experiência profissional que depois seria aplicada em atividades de análise, gestão e pesquisa.
A carreira também passou pelo rádio e pela televisão. Paula atuou como comentarista na TV NC News, na Rádio BandNews e na TV Onda Digital. O trabalho como comentarista acrescentou à experiência de reportagem a interpretação de fatos políticos e sociais.
Seu currículo registra ainda colaborações com O Globo, Estadão e UOL. Essas participações estabeleceram uma ligação entre o trabalho jornalístico desenvolvido na região amazônica e a produção destinada a leitores e espectadores de outras partes do país.
Rede Cenarium reúne diferentes frentes de comunicação
Na gestão da comunicação, Paula fundou a Rede Cenarium, sediada na Amazônia. O projeto reúne revista eletrônica, revista impressa, agência de notícias e TV web.
À frente da estrutura, sua atividade passou a incluir a direção de equipes e projetos editoriais, além da produção jornalística individual. A função ampliou o escopo de trabalho em relação à rotina de redação e incorporou decisões relacionadas à organização da cobertura e ao funcionamento dos produtos de comunicação.
A produção da Cenarium contempla questões socioambientais, povos tradicionais, direitos humanos, reportagens investigativas e jornalismo de dados. Os temas estão ligados a debates sobre o território amazônico e sobre decisões políticas e econômicas que afetam suas populações.
A rede conta com profissionais em diferentes cidades da Amazônia brasileira. Esse desenho editorial acompanha a proposta de produzir conteúdo sobre a região a partir de múltiplos pontos de observação e de abordar assuntos que ultrapassam a cobertura de um único município.
Segurança de jornalistas entra na atuação institucional
A experiência acumulada em coberturas sensíveis também passou a fazer parte da atuação de Paula em debates profissionais. Em julho de 2025, ela foi palestrante no 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado em São Paulo.
Paula participou de uma mesa sobre segurança de jornalistas e fontes na Amazônia. Durante o encontro, apresentou experiências e protocolos adotados pela Cenarium em coberturas realizadas em áreas de conflito.
No debate, abordou a necessidade de avaliar os riscos antes do trabalho de campo e de considerar a experiência dos profissionais enviados a territórios sensíveis. A discussão também envolveu a proteção das equipes e das pessoas entrevistadas durante a realização de investigações jornalísticas.
A participação no congresso relacionou a experiência de direção editorial às discussões sobre as condições de trabalho na cobertura regional. Nesse contexto, a gestão de equipes aparece associada tanto ao planejamento da apuração quanto à adoção de cuidados antes e durante a atividade em campo.
Produção acadêmica e circulação de conhecimento
Além da dissertação de mestrado, Paula é coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, conforme os perfis divulgados pela Abraji e pelo Festival 3i.
A participação no livro acrescentou à carreira uma dimensão de elaboração e circulação de conhecimento sobre questões sociais amazônicas. O tema se relaciona à pesquisa sobre mulheres indígenas e à atenção dedicada a desigualdades de gênero e formas de organização social na região.
Na produção autoral, Paula mantém entrevistas e editoriais sobre política, democracia, representatividade, questões ambientais e desinformação. Seus textos também abordam a emergência climática, a participação indígena na política, as desigualdades de gênero e os efeitos da inteligência artificial sobre a informação e o debate eleitoral.
Os assuntos tratados em sua produção combinam temas de interesse regional e discussões presentes no debate público brasileiro. A abordagem aparece em diferentes formatos, como reportagens, comentários, editoriais, entrevistas, pesquisas e produções audiovisuais.
Reconhecimento profissional em 2025
Em 2025, Paula Litaiff foi indicada ao prêmio 100+ Admirados Jornalistas Brasileiros, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo informativo Jornalistas&Cia. A indicação integrou o processo de votação da premiação.
O registro ocorreu no mesmo período em que a jornalista participou do congresso da Abraji e em que a Ufam divulgou o vídeo documental relacionado à sua pesquisa de mestrado. Esses episódios compuseram uma fase da trajetória marcada pela presença simultânea em atividades profissionais, acadêmicas e institucionais.
A carreira de Paula reúne, portanto, diferentes funções da comunicação. A repórter aparece na experiência de cobertura de Polícia, Cidades e Política; a comentarista e a editorialista atuam na interpretação de acontecimentos; a pesquisadora se dedica a temas da sociedade e da cultura amazônicas; e a diretora coordena um projeto editorial voltado à região.
Entre a participação em um documentário sobre o caso Wallace Souza e o vídeo relacionado à pesquisa sobre mulheres Kokama, o audiovisual acompanha etapas distintas desse percurso. Em comum, estão a experiência jornalística, a produção de conhecimento e a atenção a temas ligados à Amazônia.
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