A arquitetura Art Déco em Goiânia está concentrada principalmente no centro da capital e forma um dos conjuntos históricos mais importantes da cidade. Prédios públicos, praças, monumentos, equipamentos urbanos e parte do traçado original revelam o projeto de uma capital planejada para representar a modernidade de Goiás no século 20.
O roteiro pode ser feito a pé e inclui locais como a Praça Cívica, o Coreto, a Torre do Relógio, o Teatro Goiânia, a Estação Ferroviária, o Grande Hotel e o Lago das Rosas. A Agência Municipal de Turismo e Eventos de Goiânia informa que o percurso oficial do Roteiro Art Déco tem 10,1 quilômetros, com início no Parque Lago das Rosas e término no Mercado Central.
Antes de sair, vale conferir as condições de visitação dos espaços, especialmente quando o objetivo for entrar em prédios públicos, museus ou equipamentos culturais. A observação das fachadas e dos espaços urbanos, porém, permite conhecer boa parte do conjunto preservado em áreas públicas.
O que é a arquitetura Art Déco
O Art Déco foi uma linguagem artística e arquitetônica difundida internacionalmente nas primeiras décadas do século 20. Em Goiânia, o estilo aparece em construções com composição simétrica, linhas retas, formas geométricas, volumes escalonados, frisos, platibandas, elementos verticais e ornamentos aplicados às fachadas.
O estilo também está associado à ideia de progresso e racionalidade. Por isso, sua adoção em uma cidade nova tinha significado político e simbólico: os edifícios deveriam expressar a criação de uma capital moderna, planejada e alinhada às transformações urbanas que ocorriam no Brasil.
Durante a caminhada, alguns detalhes ajudam a reconhecer a linguagem Art Déco. Observe a repetição de formas geométricas, os desenhos em baixo-relevo, a simetria das fachadas, as molduras de portas e janelas, os elementos verticais e a relação entre os prédios e as praças.
Como Goiânia incorporou o estilo
Goiânia foi fundada em 24 de outubro de 1933 para substituir a Cidade de Goiás como capital estadual. O projeto urbano da nova capital foi elaborado pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, em um período marcado pela construção de cidades planejadas e pela busca de novos símbolos de desenvolvimento.
O Art Déco foi adotado em parte significativa dos primeiros edifícios públicos e equipamentos urbanos. A escolha ajudou a diferenciar Goiânia da arquitetura colonial da antiga capital e criou uma identidade visual para a cidade em formação.
O núcleo inicial se organizou em torno da Praça Cívica e das avenidas que estruturaram o centro. A área reunia os principais edifícios administrativos e institucionais do novo governo estadual. Com o crescimento urbano, outros imóveis e equipamentos foram incorporados ao conjunto de interesse histórico, inclusive em áreas como Campinas.
O Iphan reconhece o Acervo Arquitetônico e Urbanístico Art Déco de Goiânia como bem tombado em âmbito federal. A proteção inclui edificações, elementos decorativos e trechos da estrutura viária relacionada ao plano urbano dos núcleos pioneiros.
Praça Cívica concentra os principais edifícios
A Praça Cívica é o ponto mais importante para começar a observar a arquitetura Art Déco em Goiânia. O espaço reúne prédios institucionais e monumentos que participaram da formação administrativa da capital.
Entre os bens associados ao conjunto estão o Palácio das Esmeraldas, antiga sede do governo estadual, o antigo Fórum e Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria-Geral, o Museu Zoroastro Artiaga, o Coreto, as fontes luminosas, os obeliscos e o antigo prédio do Tribunal Eleitoral.
A praça também ajuda a compreender a relação entre arquitetura e urbanismo. Os edifícios não foram construídos de forma isolada: eles compõem um cenário cívico, com eixos, áreas abertas e vias que organizam a circulação ao redor do centro político da cidade.
Coreto e fontes luminosas
O Coreto fica no início da Avenida Goiás e é um dos elementos mais reconhecíveis da Praça Cívica. Sua composição combina formas retas e curvas, com detalhes geométricos e uma estrutura que valoriza a simetria.
A construção começou entre 1940 e 1942, e a inauguração ocorreu em 5 de outubro de 1942. O equipamento passou por restauração realizada pelo Iphan entre 2019 e 2020, segundo o instituto.
As fontes luminosas também fazem parte do conjunto da praça. Mesmo quando não estão em funcionamento, elas ajudam a compreender o projeto urbano original e a importância atribuída à composição paisagística dos espaços públicos.
Torre do Relógio marca a Avenida Goiás
A Torre do Relógio está no início da Avenida Goiás e é um dos principais símbolos visuais do centro de Goiânia. O equipamento tem relógios voltados para os quatro lados e apresenta base, corpo e coroamento com frisos e desenhos geométricos.
A torre foi projetada por Américo Vespúcio Pontes e inaugurada em 1942. Seu revestimento e seus ornamentos reforçam características recorrentes do Art Déco, como a verticalidade, a organização simétrica e a valorização de elementos decorativos integrados à estrutura.
A Avenida Goiás é uma das vias mais antigas da capital. O passeio por seu eixo permite observar a relação entre a torre, a Praça Cívica e outros edifícios históricos do centro.
Teatro Goiânia e Grande Hotel
O Teatro Goiânia está entre os edifícios culturais mais importantes do conjunto Art Déco da cidade. O imóvel foi projetado para integrar a estrutura simbólica da nova capital e permanece como referência da arquitetura e da vida cultural goianiense.
O Grande Hotel também integra o acervo protegido. Localizado na região central, o edifício representa a função que os hotéis desempenhavam na consolidação de uma capital recém-criada: receber visitantes, autoridades e participantes de atividades administrativas e culturais.
Ao observar esses prédios, é importante prestar atenção à volumetria, aos recuos, às entradas, aos elementos verticais e ao desenho das fachadas. Esses aspectos permitem diferenciar uma construção simplesmente antiga de uma obra que incorpora princípios formais do Art Déco.
Estação Ferroviária e Praça do Trabalhador
A Estação Ferroviária de Goiânia é outro marco do patrimônio arquitetônico da cidade. O prédio está associado à expansão dos transportes e à integração da capital com outras regiões do país.
O conjunto inclui elementos internos e externos de interesse, como o saguão, a escadaria, os portões e as grades de ferro. A estação também conserva pinturas murais atribuídas a Frei Nazareno Confaloni, artista reconhecido por sua participação na formação da arte moderna em Goiás.
A área da estação passou por ações de restauração e requalificação. O espaço externo, conhecido como Praça do Trabalhador, integra o circuito de interesse histórico e pode ser combinado com a visita a outros pontos do centro.
Lago das Rosas e a Mureta do trampolim
O Parque Lago das Rosas é o ponto inicial do roteiro oficial da Agência Municipal de Turismo e Eventos. Criado na década de 1940, o parque conserva elementos associados ao período de formação da capital, entre eles a Mureta e o antigo trampolim.
A Mureta foi construída em 1941 na ligação entre Campinas e Goiânia. O local fazia parte de uma represa que posteriormente foi transformada em balneário público. A estrutura é considerada um dos exemplos mais expressivos do Art Déco presentes no parque.
Além do patrimônio construído, o Lago das Rosas oferece área verde, pista de caminhada e espaços de permanência. Por isso, pode ser um ponto adequado para iniciar o passeio com mais calma antes de seguir em direção ao centro.
Roteiro Art Déco de Goiânia: como fazer
O roteiro municipal é apresentado como uma caminhada de 10,1 quilômetros. O percurso começa no Parque Lago das Rosas, segue por áreas do centro e termina no Mercado Central. A rota passa por referências como o Tribunal Eleitoral, a Avenida Goiás, a Torre do Relógio, a Delegacia Fiscal, o Coreto e outros bens históricos.
Para organizar o passeio, reserve tempo suficiente para caminhar, fotografar fachadas e ler informações sobre os edifícios. O trajeto pode ser dividido em trechos, especialmente para quem deseja visitar museus, acompanhar atividades culturais ou fazer paradas no comércio tradicional.
O Mercado Central encerra o percurso com uma experiência ligada à gastronomia e à cultura popular de Goiânia. O espaço reúne produtos regionais, alimentos, temperos, doces, queijos, artesanato e outros itens associados ao cotidiano goiano.
O roteiro completo está disponível no site oficial da Agência Municipal de Turismo e Eventos. Como horários, exposições e condições de acesso podem mudar, é recomendável consultar os canais oficiais antes da visita.
Dicas para aproveitar a visita
- Use calçados confortáveis, pois o percurso indicado é feito a pé e tem 10,1 quilômetros.
- Comece cedo ou escolha períodos de menor calor para caminhar pelo centro.
- Leve água, proteção solar e atenção ao trânsito ao atravessar avenidas.
- Fotografe detalhes das fachadas, como frisos, molduras, grades e formas geométricas.
- Não entre em prédios públicos ou áreas restritas sem autorização.
- Confira previamente o funcionamento de museus, teatros e espaços culturais.
- Evite tocar, subir ou apoiar objetos em estruturas históricas.
- Combine o passeio com uma visita ao Mercado Central ou a outros espaços culturais do centro.
Por que preservar o Art Déco de Goiânia
O conjunto Art Déco não representa apenas um grupo de prédios antigos. Ele registra o momento em que Goiás transferiu sua capital e construiu uma cidade planejada para simbolizar uma nova etapa política, administrativa e econômica.
A preservação também permite compreender como arquitetura, urbanismo e memória pública foram usados para formar a identidade de Goiânia. Cada edifício revela uma parte desse processo, enquanto praças e avenidas mostram como a cidade foi organizada desde os primeiros anos.
Para o visitante, conhecer a arquitetura Art Déco em Goiânia é uma forma de percorrer a história da capital por meio de seus espaços públicos. O passeio combina patrimônio, urbanismo, cultura e vida cotidiana sem exigir uma visita exclusivamente a museus ou centros fechados.